quinta,14dezembro,2017

Governo de Angola

"Pretendemos sair da agricultura de subsistência para a produção em escala virada para o Mercado" - Paulo Pombolo

"Pretendemos sair da agricultura de subsistência para a produção em escala virada para o Mercado" - Paulo Pombolo

Uíge - O governador provincial do Uíge, Paulo Pombolo, disse segunda-feira que a agricultura é a base do desenvolvimento económico da província.

 

Paulo Pombolo - Governador provincial do Uíge

Foto: Cortesia de Vica Luís

Em entrevista à Angop, conduzida pelo jornalista Geraldo Quiala, o dirigente acresecentou que a grande aposta das autoridades locais é a transformação da agricultura de subsistência em produção em escala, virada para o mercado.

ANGOP – Que avaliação faz do desenvolvimento actual da província do Uíge?
 
Paulo Pombolo (PP) – O desenvolvimento da província do Uíge baseia-se fundamentalmente no Programa de Desenvolvimento, elaborado pelo Governo Provincial, que os órgãos locais têm vindo a materializar. Para o seu cumprimento, definimos a agricultura como a base do desenvolvimento económico da província. Hoje, o sector da agricultura deve merecer uma especial atenção e trabalhamos no sentido de alterarmos o quadro actual em que é exercida a agricultura no Uíge. Isso significa que pretendemos sair da agricultura de subsistência para uma agricultura mecanizada, da produção em escala e virada para o mercado.
 
Aliás, esta é a missão que o Plano Nacional reserva para a província do Uíge. Produzir alimentos no sentido de vender nos grandes centros comerciais, em Luanda e nas províncias que fazem fronteira connosco (Zaire, Cuanza Norte e Malanje). Mas, para desenvolver a agricultura, precisamos de organizar os produtores em cooperativas agrícolas, para permitir que os incentivos que o governo vai conseguindo sejam distribuídos da melhor forma possível, de forma equitativa para que cada cooperativa possa cumprir o seu papel. Ainda no domínio da agricultura, além da formação dos camponeses e produtores, a sua organização em cooperativas, os incentivos necessários para que os produtores possam ter a motivação de continuar a trabalhar, precisamos também de formar agrónomos, através da nossa Universidade Kimpa Vita, e procurar formas de que esses técnicos agrónomos que estão a terminar a sua formação superior possam ir pra os municípios, comunas, para sustentar este grande projecto ou programa de produção nacional do café.
 
ANGOP – É uma forma tímida de voltar aos tempos áureos da produção cafeícola?
 
PP – O Uíge, em termos do café,  nos anos 70, já esteve na pole position, ao ter atingido indicadores muito elevados. A produção de café no Uíge fez gerar recursos financeiros que sustentaram o esforço de construção de muitas cidades angolanas. Luanda, por exemplo, tem dois grandes bairros tradicionais da cidade construídos com recursos provenientes da produção do café do Uíge: o Alvalade e a Vila Alice. Mas, para nos aproximarmos dos índices de 1970, precisamos dessa engenharia toda a que acabamos de fazer alusão.
 
Nós precisamos definer claramente o que queremos. Já dissemos não à agricultura de subsistência. Precisamos de uma agricultura que esteja virada para o mercado, ou seja produzir para o consumo da província mais o excedente para o mercado. Este, em princípio, é o objectivo que pretendemos alcançar. Mas só com a acção do governo, não é possível atingirmos essas metas. Precisamos de recorrer ao privado, mobilizando aqueles que têm dinheiro, os chamados investidores, e que possam vir investir aqui na nossa província no domínio da cultura ou da produção do café. E esses produtores, investidores, precisam encontrar algumas condições mínimas criadas no terreno.