quinta,14dezembro,2017

Dia de África assinalado com actividades político-culturais (África)

 

O Ministro das Relações Exteriores, Doutor Georges Rebelo Pinto Chikoti, reafirmou em Luanda, por ocasião do 49º aniversário da criação da Organização de União Africana (OUA), que o “dia de África simboliza maior compromisso político dos líderes africanos que visou acelerar o fim da colonização do continente e a sua afirmação na arena internacional.”

 No seu discurso em alusão ao jantar de gala alusivo à efeméride, o chefe da diplomacia angolana disse que esta data que congrega esta cerimónia, serve de um momento ímpar não só de recolhimento em memória de todos quantos lutaram e acreditaram na libertação das nações e povos de África, mas também de reflexão sobre as conquistas alcançadas, os desafios presentes e as oportunidades futuras do continente – berço.

“A unidade e solidariedade entre as nações e povos de África, a defesa da soberania, integridade territorial e independência dos seus estados membros, bem como a aceleração da integração politica e socio económica do continente, continua a animar as agendas e acções das novas gerações para responderem ao legado de líderes visionários como o imperador Etíope Haile Selassie e os Presidentes do Ghana, KWAME KRUMAH, do Egipto, Abdel Nasser, da Tanzânia, JULYUS NYERERE, entre outros,” adiantou.

Georges Chikoti entende que não obstante ainda persistirem conflitos de caracter politico em certas regiões de africa, a situação geral do continente é de paz e estabilidade, com a maioria dos países a serem liderados por governos democraticamente eleitos. A paz e a segurança são condições necessárias para o desenvolvimento da democracia, do estado de direito e para promoção dos direitos humanos, de forma que africa possa realizar plenamente o seu potencial.

Segundo o chefe da diplomacia angolana, constituem motivos de grande preocupação a frequência com que começam a acontecer golpes de estado em certas regiões do continente e as iniciativas diplomáticas com que se pretendem solucionar os problemas políticos decorrentes dos mesmos, que na prática acabam por pôr em causa o espirito e a letra de decisão basilares da união africana e da comunidade internacional.

Georges Chikoti revelou que, em nome de uma suposta defesa das populações civis, certas vozes justificam o direito à ingerência nos assuntos internos dos estados, numa negação a princípios fundamentais, como o da soberania nacional ou da autodeterminação dos povos, que durante seculos regeram a evolução da humanidade.

Mesmo quando estes argumentos tentam encontrar legitimidade no capítulo VII da Carta das Nações Unidas, que trata das violações á paz e a segurança internacional, não deixam de criar situações de consequências imprevisíveis para os povos e as nações concernentes.

Os acontecimentos vividos na Líbia no ano passado são prova disso ao tornar o país permissível á violência e ás lutas facciosas, pondo em risco tanto interesses estratégicos do Estado quanto a segurança na região ao criar oportunidades para a emergência de grupos rebeldes como é caso dos Tuareg que já controlam o norte do Mali pondo em causa a sua integridade territorial e dos vizinhos e se não houver bom senso aquela região do continente africano pode estar a caminho para longo período de incerteza e de instabilidade em termos económicos

Afirmou por outro lado, que nesta década, a África apresentou índices de crescimento acima da média mundial. Dos dez países com crescimentos da África subsariana entre 2000-2010 foi em média de 5.7%, taxa que contrasta com os 2.4%das duas décadas anteriores

Programas como a nova parceria para o desenvolvimento de africa (NEPAD) estão a contribuir para um aumento de investimento no continente, pois constituem instrumentos que permitem relações e acordos num ambiente de transparência, de responsabilidades das partes e da boa governação. Contudo, mais deve ser feito, na medida em que o produto interno bruto (PIB) de africa corresponde apenas a um por cento do produto Mundial e em termos de comércio global, o continente só contribui com cerca de três porcentos e com tendência de descrever. Razão pela qual a estabilidade política do continente deve continuar a ser a maior preocupação se de facto queremos erradicar a fome e a pobreza e alcançarão os principais objectivos do Milénio na Meta de 2015

O chefe da diplomacia afirmou que apesar do nosso país ter ascendido à independência num contexto nacional de divisões e de conflito induzidos pela dinâmica da Guerra Fria, hoje Angola preza muito a paz, democracia, a tolerância politica. O respeito pelos direitos Humanos, fictores que permitem hoje ao executivo Angolano de lançar as bases obtidas para o desenvolvimento económico e social.

A esse respeito, continuou, “ queremos exprimir a nossa palavra de apreço a sua Excelência José Eduardo dos Santos Presidente da Republica, que imbuindo de um espirito de tolerância, de abnegação e de sacrifício, conseguiu alcançar a paz e a reconciliação entre os Angolanos, a 4 de Abril de 2002

A solução foi encontrada tendo como premissa fundamental o interesse nacional e na base do respeito e da dignidade das partes envolvidas, uma lição que nos inspira conflitos em varias partes do mundo.

O Ministro Chikoti reafirmou também que, com advento da paz, Angola esta a desempenhar um papel cada vez mais importante e reconhecimento para paz e estabilidade em Africa. É neste contexto que se inserem as nossas iniciativas diplomáticas em países irmãos como a Guine Bissau na base de uma cooperação vantajosa para todos. Angola quer ser e será um parceiro construtivo na comunidade internacional.

Estes princípios continuam a inspirar a diplomacia angolana, quer como uma expansão da defesa dos nossos interesses estratégicos, nomeadamente no que concerne a prevenção da soberania e o reforço da unidade entre todos os filhos de Angola, quer como um contributo em relação a harmonia e de cooperação entre os povos e as acções, baseada na dignidade e no respeito da identidade de cada um, sublinhou.


Fonte: PORTAL DA REPÚBLICA DE ANGOLA

05-06-2012